©Asylantrag – 2023
Se eu olho pra ela,
Me vejo, olhando,
Pra mim, mas é ela, um espelho,
Da mulher, tão em sí, no outro
derivando, delirio organico,
Que chama nas chamas, dos olhos
Nos lagos, que acolhem as chuvas e
Desbundam em lágrimas, que quentes,
Explodem em lavas, lavando
O reflexo que me enxerga, mulher
Nas vias nas beiras das veias, que
Me percorrem, de
Vermelho em vermelho, num futuro
Arcaico, sem meio, no fio do cabelo,
Conduzindo a trança, quem sabe uma
Esperança, com
Desespero ou desesperança,
Mirando a china e estrela, no céu da proeza,
Furando meu mundo, escuro claro profundo.
Se eu olho pra ela, lhe digo,
Seja voce mesma, seja eu,
deixe-me ser voce, sejamos
O remedio que cura,
o claro e o escuro, da noite e da areia,
E as línguas cruzadas, colando
Na nossa narrativa viva,
De mulheres espantando,
O que nem os ventos controlam.
©Ava Rocha